Wescley Garrett

CONHEÇA SEUS NÚMEROS · EPISÓDIO 3

A cliente que some do salão não avisa, mas o relógio dela avisa

Reclamação tem conserto. O problema de verdade é a cliente que simplesmente para de vir, e o único aviso que ela dá é o tempo passando fora do ritmo dela.

Wescley Garrett, análise de dados para negócios de hora marcada, com especialização em Ciência de Dados e Big Data Analytics ·

Cliente insatisfeita reclama, e reclamação, por pior que seja, tem conserto: tem nome, tem hora, tem conversa. O problema de verdade é a cliente que simplesmente para de vir. Ela não avisa, não briga, não se despede. Num mês era presença certa, no outro virou lembrança, e ninguém marcou a data em que isso aconteceu.

E não é coisa só de salão. John Goodman, que passou décadas pesquisando reclamação de consumidor, escreveu na revista da ASQ, a sociedade americana de qualidade, que a maioria dos clientes não reclama quando encontra um problema. A pesquisa dele é de mercado amplo, não de beleza, mas descreve o que vejo nas agendas: o silêncio é a forma mais comum de despedida.

Um prazo só para todo mundo erra duas vezes

Recência é o nome desse relógio: quanto tempo faz desde a última visita de cada cliente. E o erro que quase todo salão comete está na régua. Um prazo único mede a carteira inteira com o mesmo calendário, e cliente de toda semana e cliente de todo trimestre não cabem no mesmo calendário.

Pense em duas clientes. A primeira vinha de quinze em quinze dias e está há quarenta sem aparecer, quase três vezes o ritmo dela. A segunda vem a cada três meses e está há setenta dias fora, ainda dentro do compasso de sempre. Um filtro de sessenta dias, desses que marcam cliente inativa, erra as duas: deixa passar a primeira, que é a que está indo embora, e aponta a segunda, que só está no tempo dela.

A régua certa é o ritmo de cada uma

A régua que funciona é o intervalo da própria cliente, calculado com o histórico dela. No ICR, o Índice Customizado de Retorno, modelo que publiquei aberto, esse intervalo é a mediana dos intervalos entre as visitas, com pelo menos três atendimentos no histórico, e o alerta acende quando a ausência passa de uma vez e meia o ritmo dela.

Na prática, a cliente de quinzena acende o alerta perto do vigésimo terceiro dia; a de trimestre, perto de quatro meses e meio. Cada relógio com o seu próprio despertador. É um modelo em validação, e o fator de uma vez e meia é ponto de partida para calibrar na base de cada casa, não lei.

No primeiro episódio falei do medo de parecer invasiva. O relógio individual é o que desmonta esse medo: a mensagem que chega no vigésimo terceiro dia de uma cliente de quinzena tem data certa, e data certa soa como atenção.

Alerta sem dono não acorda ninguém

De nada adianta o sistema saber que alguém sumiu se nenhuma pessoa tem a obrigação de perceber. Relatório que ninguém abre é alarme tocando em casa vazia. O que funciona é simples e pouco praticado: cada sumiço de cliente importante chega ao ouvido de alguém na mesma semana, com nome e próxima ação.

Dar dono a esse alerta e transformá-lo em rotina de recepção é parte do que a equipe do Método 5 Estrelas, da Camila Colombo, implanta nos salões. A mim, como colaborador, cabe o relógio: dizer, cliente por cliente, quando o silêncio passou da conta.

Um nome, de memória

Responda antes de abrir qualquer tela: qual cliente importante está há mais tempo sem aparecer? Escreva o primeiro nome que vier e quantas semanas você acha que faz. Depois abra o cadastro dela e compare a data da última visita com o ritmo que ela sempre teve.

Se a distância incomodar, antes de mandar qualquer mensagem, veja como fica uma que chega como cuidado. Pressa, aqui, estraga o que o relógio acertou.

O silêncio de cada cliente tem hora para deixar de ser normal. Quem conhece o relógio, percebe.

Para começar a medir o relógio da sua carteira ainda esta semana, o material gratuito Os 3 Primeiros Indicadores, logo abaixo, ensina a calcular o intervalo médio entre visitas com a sua própria agenda, junto com os outros dois números que abrem a série.

MATERIAL GRATUITO

Os 3 Primeiros Indicadores

Doze páginas com três indicadores que o seu negócio já produz: o cálculo, onde achar o dado na sua própria agenda, como ler o resultado e a decisão que cada um dispara.

  • Reagendamento na saída
  • Intervalo médio entre visitas
  • Taxa de retorno em 90 dias
Página do material com a fórmula do reagendamento na saída, o passo a passo com exemplo e espaço para anotar o seu resultadoPágina do material que explica o que fazer quando o resultado sobe, fica igual ou cai
Duas páginas do material.

QUEM ESCREVE

Wescley Garrett

Foram dez anos de aviação comercial na GOL, em equipes autogerenciáveis, num setor onde decisão segue dado e procedimento e improviso não tem lugar. Desde 2019, trabalha com análise de dados e gerenciamento de riscos, e com formação de equipes para decidir em operação. O que ficou dessa combinação é uma convicção sobre método: cultura analítica não nasce de painel bonito, nasce de perguntas que alguém se compromete a responder com número e a verificar depois. Negócios que atendem com hora marcada produzem dado todos os dias, e quase nenhum decide com ele.

Dado não é ferramenta, é cultura. E cultura analítica não se instala com painel, se instala com tomada de decisão baseada em evidência, e com a disciplina de verificar se funcionou.

Análise de dados e gerenciamento de riscos desde 2019, depois de dez anos na aviação comercial, onde decisão segue dado e procedimento. Colaborador do Método 5 Estrelas. Especialização em Ciência de Dados e Big Data Analytics.

ESCOPO

O QUE EU FAÇO

Método, materiais e modelos de indicadores. Em odontologia, também assessoria de dados, diretamente com a clínica.

COMO CONTRATAR EM BELEZA

Em salões, barbearias e clínicas de estética, a implantação e o acompanhamento são conduzidos pela equipe do Método 5 Estrelas, de Camila Colombo.