Wescley Garrett

CONHEÇA SEUS NÚMEROS · EPISÓDIO 1

Retenção de clientes é o dinheiro que ninguém vê no salão

Trazer uma cliente nova nunca custou tão caro. Enquanto isso, o maior potencial de faturamento do seu salão já tem horário marcado com você e sai pela porta sem data para voltar.

Wescley Garrett, análise de dados para negócios de hora marcada, com especialização em Ciência de Dados e Big Data Analytics ·

Toda semana vejo salão investindo pesado para atrair cliente nova. Tráfego pago, promoção de primeira visita, permuta com influencer. E a conta só cresce: desde que comecei a olhar número de salão, não vi um ano em que o custo de colocar uma cliente nova na cadeira ficasse mais barato.

Enquanto isso, a cliente que já senta na cadeira, que já confia, que já paga, sai pela porta sem data para voltar. E ninguém percebe, porque cliente que some não reclama. Ela some em silêncio.

O salão que só caça cliente nova financia o marketing dos outros

Essa é a minha opinião depois de olhar muito número de salão: quem vive de aquisição investe para apresentar a cliente ao mercado, e o mercado agradece. Você paga o anúncio, faz um primeiro atendimento impecável, e a concorrência colhe uma cliente já educada sobre o valor do serviço.

E não sou só eu. A Harvard Business Review estima que conquistar um cliente novo custa de cinco a vinte e cinco vezes mais do que manter um que já existe, e o mesmo artigo cita a pesquisa de Frederick Reichheld, da consultoria Bain: aumentar a retenção em 5% eleva o lucro entre 25% e 95%. São números de mercado amplo, não de salão, mas a direção é a mesma que vejo nas agendas.

Retenção de clientes não se resolve com cartão de fidelidade nem com desconto de aniversário. Retenção é conhecimento. É saber quem são as clientes que sustentam a casa (são menos do que você imagina, e têm nome).

É saber também o intervalo entre as visitas de cada uma: tem cliente de toda semana e cliente de todo trimestre, e as duas podem ser ótimas. E é saber a hora exata em que o silêncio de uma delas deixou de ser normal.

No jargão da análise de dados, isso atende por recência, frequência e valor. Prefiro traduzir: o ritmo, a constância e o peso de cada cliente na sua receita.

O sistema de agenda ajuda menos do que parece nessa hora. Ele até mostra a taxa de retorno geral da casa, mas a lista de clientes que não retornaram usa a mesma janela para a base inteira, então a cliente que vem a cada quatro semanas e a que vem a cada doze caem no mesmo filtro. Estar atrasada em relação ao próprio ritmo é outra medida, e é a que aponta a ação certa.

Chamar a cliente que sumiu sem incomodar

É aqui que mora o medo de quem gerencia: “não quero ser invasiva”. Só que não existe frase pronta que faça a cliente voltar. Existe a hora certa de perguntar. A mensagem que chega no tempo do relógio dela não é invasão, é atenção.

Invasivo é o disparo genérico, na hora errada, para todo mundo ao mesmo tempo. Quem conhece o ritmo de cada cliente não precisa de disparo em massa. Precisa de uma conversa, com a pessoa certa, no momento certo.

Esse jeito de olhar a carteira, cada cliente com seu ritmo e cada silêncio com sua hora, é parte integrante do Método 5 Estrelas, da Camila Colombo, com quem colaboro na parte que é o meu ofício: os dados. Fazer isso virar rotina dentro do salão é trabalho da equipe dela. A medição começa antes, na agenda que você já tem.

Janeiro se ganha em dezembro

E tem o calendário. Agenda vazia em janeiro se resolve em dezembro, na saída, com a agenda aberta: “já deixo o seu horário de janeiro reservado?”. Uma frase. É o que separa o salão que começa o ano correndo atrás do salão que começa o ano com a agenda desenhada. Quem deixa janeiro para janeiro compete pelo pior mês. Quem reagenda na saída só confirma o que já era da casa.

E quando o serviço tem prazo técnico, a conversa da saída fica ainda melhor. Uma coloração feita em dezembro que pede retoque a cada quarenta dias já tem endereço: a terceira semana de janeiro. A frase deixa de ser genérica e vira cuidado: “nessa semana o seu loiro já vai estar pedindo retoque; quer que eu deixe o dia 18 guardado?”.

A data sugerida não sai da vontade de vender; sai do ciclo do serviço. E o convite chega no melhor momento que existe: a cliente acabou de sair da cadeira, com o resultado no espelho. O salão ganha janeiro desenhado; a cliente ganha a manutenção na hora que protege o resultado; e ninguém fica esperando o telefone tocar.

Agora faça a conta comigo. Se a sua cliente média vem uma vez por mês, são doze visitas por ano. Uma visita a mais, por cliente, na carteira inteira, dá um doze avos a mais no ano. Um mês de faturamento, vindo de gente que você já conquistou, sem um real novo em anúncio.

O dinheiro está na mesa. A pergunta é quem vai enxergar primeiro.

Se quiser começar a medir ainda esta semana, sem sistema novo e sem histórico, o material gratuito Os 3 Primeiros Indicadores, logo abaixo, ensina o cálculo, onde achar o dado na sua própria agenda e a decisão que cada número dispara.

MATERIAL GRATUITO

Os 3 Primeiros Indicadores

Doze páginas com três indicadores que o seu negócio já produz: o cálculo, onde achar o dado na sua própria agenda, como ler o resultado e a decisão que cada um dispara.

  • Reagendamento na saída
  • Intervalo médio entre visitas
  • Taxa de retorno em 90 dias
Página do material com a fórmula do reagendamento na saída, o passo a passo com exemplo e espaço para anotar o seu resultadoPágina do material que explica o que fazer quando o resultado sobe, fica igual ou cai
Duas páginas do material.

QUEM ESCREVE

Wescley Garrett

Foram dez anos de aviação comercial na GOL, em equipes autogerenciáveis, num setor onde decisão segue dado e procedimento e improviso não tem lugar. Desde 2019, trabalha com análise de dados e gerenciamento de riscos, e com formação de equipes para decidir em operação. O que ficou dessa combinação é uma convicção sobre método: cultura analítica não nasce de painel bonito, nasce de perguntas que alguém se compromete a responder com número e a verificar depois. Negócios que atendem com hora marcada produzem dado todos os dias, e quase nenhum decide com ele.

Dado não é ferramenta, é cultura. E cultura analítica não se instala com painel, se instala com tomada de decisão baseada em evidência, e com a disciplina de verificar se funcionou.

Análise de dados e gerenciamento de riscos desde 2019, depois de dez anos na aviação comercial, onde decisão segue dado e procedimento. Colaborador do Método 5 Estrelas. Especialização em Ciência de Dados e Big Data Analytics.

ESCOPO

O QUE EU FAÇO

Método, materiais e modelos de indicadores. Em odontologia, também assessoria de dados, diretamente com a clínica.

COMO CONTRATAR EM BELEZA

Em salões, barbearias e clínicas de estética, a implantação e o acompanhamento são conduzidos pela equipe do Método 5 Estrelas, de Camila Colombo.